Por Ana Teresa Brasil, de Belém

Instituições de ensino e pesquisa do Brasil, cientistas e sociedade civil organizada afirmam que um dos grandes legados deixados pela COP 30, realizada em novembro de 2025, em Belém do Pará, é a visibilidade que o evento trouxe para a região. No centro dessa agenda, a comunidade defende que a Amazônia deixe de ser apenas objeto das políticas climáticas internacionais e passe a ocupar também o papel de produtora de conhecimento, soluções e propostas para o futuro do planeta.
A intenção manifestada por esses atores é de que a transição entre a COP 30 e a COP 31, que será sediada em Antália, na Turquia, em novembro de 2026, não represente uma ruptura, mas a continuidade de uma agenda construída a partir da COP de Belém.
A coordenadora-geral da Agenda de Ação da Presidência da COP30, Bruna Cerqueira, defende a criação de mecanismos permanentes para acompanhar os compromissos assumidos durante a conferência. “Durante a COP30, tivemos um espaço muito importante chamado Agenda de Ação. Diferentemente do espectro de negociação, em que os países negociam e chegam aos textos e acordos oficiais, a Agenda de Ação é um terreno colaborativo no qual diferentes atores podem apresentar aquilo que estão fazendo e os compromissos que estão dispostos a assumir”, ressalta.

“Algumas COPs atrás, o mundo reconheceu que precisava acelerar as ações para manter o aumento da temperatura dentro dos limites estabelecidos pelo Acordo de Paris. Hoje sabemos que estamos diante de uma situação ainda mais desafiadora, inclusive com a possibilidade de ultrapassagem temporária desses limites. Temos, portanto, uma tarefa enorme pela frente”, acrescenta Cerqueira.
Para isso, a COP30 procurou estruturar uma agenda que pudesse ser permanente. “Não podemos chegar a cada nova COP, lançar novos compromissos e depois esquecer o que foi feito anteriormente para começar tudo novamente do zero. Precisamos criar mecanismos permanentes de acompanhamento. A partir dos compromissos já negociados, foram estruturados eixos temáticos que devem continuar nas próximas COPs”, acentua.
“Quero também destacar a importância de continuarmos fortalecendo a presença do Brasil, da Amazônia e do Sul Global nesse espaço internacional. A COP30 consolidou uma presença muito importante da Amazônia na agenda climática global. O nosso desafio agora é garantir que essa presença não termine com a conferência. Precisamos transformar o conhecimento, a ciência e as experiências amazônicas em soluções permanentes”, conclui a coordenadora-geral da Agenda de Ação.
Os Mapas do Caminho que chegarão à Antália

Marco Tulio Scarpelli, representante da Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério de Relações Exteriores, integra a equipe de trabalho que está concluindo os Mapas do Caminho que a Presidência brasileira da COP30 se comprometeu a entregar à comunidade internacional. São três documentos, em fase final de elaboração: o Mapa do Caminho para Florestas, o Mapa do Caminho para a Transição Energética e um terceiro eixo relacionado ao financiamento climático.
“A tarefa é de enorme responsabilidade. Estamos trabalhando para oferecer ao mundo caminhos concretos para alcançar os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris e, especialmente, os resultados da avaliação global realizada no contexto da COP28”, ressalta Scarpelli.
“No caso das florestas, o desafio é pensar não apenas na Amazônia, mas nas florestas de todo o mundo, incluindo as florestas temperadas e boreais. Cada uma delas enfrenta problemas específicos”, reforça. Segundo ele, o principal desafio em muitas regiões é o desmatamento, mas existem também questões relacionadas à recuperação de áreas degradadas e à poluição.
“Estamos recebendo contribuições de diferentes partes do mundo, de governos, organizações, universidades e outras instituições. O objetivo é que esses documentos possam sugerir caminhos concretos: como financiar, quais políticas públicas são necessárias e como transformar os compromissos em ações”, conclui.
Contribuições da ciência e da sociedade civil aos Mapas do Caminho

Foto: Ciência e Vozes Amaz.
Uma das apostas institucionais mais importantes da COP 30 foi a atuação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDESS), o chamado Conselhão. A entidade reúne representantes da sociedade civil, como líderes sindicais, de movimentos sociais, empresários, profissionais da cultura, da ciência e do agronegócio, e está vinculada à Presidência da República, constituindo um espaço de diálogo entre o governo e a sociedade.
“Durante o processo de preparação para a COP30, a Presidência da COP solicitou ao Conselhão uma contribuição específica: mobilizar a sociedade civil, movimentos sociais e as instituições de ciência, tecnologia e inovação da Amazônia para promover um espaço de diálogo e apresentação de propostas que mostrasse ao mundo a força do conhecimento produzido historicamente pelas instituições amazônicas”, relembra a professora Raimunda Monteiro, Secretária executiva do CDESS.
Monteiro pontua que a partir dessa mobilização, o Conselho obteve reforço de dirigentes e representantes de diferentes instituições. “Durante cerca de dois meses, em 2025, fizemos uma articulação e reunimos, em um documento, contribuições de aproximadamente 84 instituições para a agenda de ação da COP 30”, acrescenta a secretária do CDESS.
Encontro de Manaus

Foto: Ciência e Vozes Amaz.
Para a elaboração dessa agenda, o Conselhão promoveu na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), há cerca de um ano, um encontro com as instituições de ciência, ensino e pesquisa da Amazônia e da sociedade civil, em que foi entregue a Carta de Manaus para a presidência da COP, no mês de agosto de 2025, período que antecedeu a COP 30, e cujo lançamento foi promovido durante a conferência na Zona Azul, em Belém.
“Agora estamos fazendo uma ponte entre Manaus, Belém e Antália. A presidência brasileira da COP30 está trabalhando para entregar o documento final à presidência da conferência na Turquia, sede da COP31, em novembro”, explica Raimunda Monteiro.
Contribuições da comunidade amazônica

Lidiane Rocha de Oliveira Melo, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), pontua a relevância dos debates na Amazônia. “Na COP30, o papel dos representantes dos diferentes setores foi extremamente estratégico e influente em relação às conferências anteriores. A participação social, dos setores privados, da sociedade civil organizada e também da academia foi fundamental”, acentua.
“Nesse sentido, a contribuição e o engajamento do setor acadêmico são muito importantes para que possamos tomar as melhores decisões possíveis, baseadas no melhor conhecimento científico disponível, mas também reconhecendo a importância dos conhecimentos tradicionais”, afirma.
Para ela, é extremamente estratégico, no contexto nacional, destacar o compromisso assumido pelo país no âmbito da Convenção do Clima. “Os Compromissos Nacionalmente Determinados, o NDC brasileiro, tem como uma de suas bases a internacionalização desses compromissos dentro do país. A nossa agenda climática contempla ações de mitigação e adaptação e tem entre suas diretrizes justamente a utilização do melhor conhecimento científico e técnico disponível, associado aos conhecimentos tradicionais. É esse conjunto de informações e conhecimentos que nos permite construir políticas mais adequadas à realidade brasileira”, considera Lidiane.
Movimento Ciência e Vozes da Amazônia, liderado pela UFPA, se destaca como uma das principais articulações da COP 30 à COP 31

Durante todo o ano de 2025, a Universidade Federal do Pará (UFPA), esteve acompanhada de outras universidades públicas e privadas da região amazônica, além de diferentes instituições de ensino e pesquisa, bem como de representantes de movimentos sociais, populações tradicionais e entidades da sociedade civil organizada. Juntos, todos esses atores protagonizaram uma ampla agenda de mobilização em defesa da ciência e do conhecimento ancestral amazônico, incluindo a série de publicações “Ciência e Vozes da Amazônia”.
Cientistas, professores, pesquisadores e a comunidade acadêmica foi envolvida em todo o processo, que atuou fortemente para a implementação da Carta de Manaus, além de instrumentos que a antecederam, como a Carta de Belém, elaborada e apresentada dentro da UFPA, assim como uma diversidade de eventos junto à comunidade acadêmica em nível regional, nacional e internacional, que culminaram com as atividades da Universidade Federal do Pará (UFPA) nas Zonas Azul (sendo a única universidade do Brasil, com estande próprio na Blue Zone) e com forte participação também na Zona Verde (Green Zone) da COP 30.
Para a vice-reitora, da UFPA, Loiane Prado Verbicaro, um dos principais legados da COP30 foi a articulação entre universidades e instituições em torno da ciência produzida na região, que deve deixar de ser vista como periférica e assumir papel central nas discussões sobre o futuro climático e social.
“A preparação para a COP30 foi um momento extraordinário de mobilização e conexão institucional. Na UFPA, construímos o movimento Ciência e Vozes da Amazônia, em parceria com diversas instituições, e ampliamos essa atuação com a presença na Zona Azul da conferência, que reuniu representações nacionais e internacionais. Esse processo, porém, não representa a liderança isolada de uma universidade, mas a força de uma construção coletiva. É justamente a diversidade de instituições, perspectivas e vozes, que fortalece a ciência produzida na Amazônia e amplia sua capacidade de diálogo e transformação”, destaca.
Loiane também ressalta a ampliação das oportunidades de cooperação internacional para a UFPA, a partir da conferência, e aponta como desafio para o período pós-COP a mudança de mentalidade e de comportamentos, com maior interação entre pesquisa, realidade social, sustentabilidade e justiça climática.
Ciência amazônica como centro da agenda

O diretor-presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (FAPESPA) e presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), Marcel Botelho, destaca que a Amazônia não deve ser tratada como uma região sem capacidade científica ou de produção de conhecimento. “Não somos um vazio científico. Não somos um vazio de cérebros. Temos pesquisadores, instituições e conhecimento. O que essas estruturas precisam é de suporte”, assegura.
Ele também apresenta números da iniciativa Amazônia +10, que reúne instituições de diferentes estados e busca financiar pesquisas sobre a região. Segundo Botelho, são cerca de 1.950 pesquisadores envolvidos e 61 projetos financiados.
Outro desafio apontado é a permanência de pesquisadores na região. “É preciso atrair cérebros para a Amazônia. É preciso inverter o fluxo da diáspora”, afirmou. Segundo ele, o Pará terá a oportunidade de fixar 35 pesquisadores por meio de uma chamada do PROFIX.
Já o chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, Walkymário Lemos, destaca a participação da instituição na COP30, especialmente por meio da AgriZone, espaço do governo brasileiro que apresentou mais de 60 tecnologias sustentáveis.
“Precisávamos mostrar ao mundo de que forma a ciência brasileira contribui para a produção de alimentos, fibras e energia, incluindo a produção agropecuária e florestal e o conhecimento sobre a biodiversidade, sempre baseada em ciência e sustentabilidade. Foi a partir dessa perspectiva que surgiu uma iniciativa inédita nas 29 COPs anteriores: um espaço oficial do governo brasileiro dedicado à agropecuária, a AgriZone”, relembra.

Segundo Lemos, a iniciativa ampliou o interesse de parceiros internacionais em projetos de tecnologias sustentáveis e deixou como um dos principais legados a articulação para a criação de um centro de referência agroflorestal com apoio da FAO. Para ele, a agenda climática precisa também promover pertencimento entre os amazônidas e valorizar o conhecimento produzido por quem vive e pesquisa no território.
Por sua vez, o reitor da UEPA, Clay Chagas, reforça que a participação popular na conferência ajudou a aproximar as discussões das populações mais afetadas pelos impactos climáticos, enquanto universidades e centros de pesquisa amazônicos demonstraram sua capacidade de produzir ciência de qualidade e atuar em territórios indígenas, quilombolas e outras regiões vulneráveis.
Entre os desdobramentos da COP para a UEPA, ele menciona o Polo Amazônico de Gastronomia, inaugurado em março de 2026, no Parque da Cidade, em Belém, sede do curso superior de Tecnologia em Gastronomia da universidade, a única pública da Região Norte com esse aparato. “Estamos iniciando também o processo de construção do Núcleo de Design Amazônico, que é outro grande legado. Estamos na fase inicial desse processo, com a perspectiva de avançar nos próximos meses e, no máximo, inaugurá-lo em fevereiro. Isso faz com que possamos apresentar uma série de novos legados desse processo”, acrescenta o reitor.
A reitora da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Gracialda Costa Ferreira, defende que as universidades levem tecnologias e pesquisas às comunidades, não para impor conhecimentos ou modificar suas culturas, mas para construir soluções conjuntamente, respeitando seus saberes e necessidades.

Secretária executiva do CDESS
“Precisamos investir em cursos voltados para essa realidade, trabalhar com educação do campo e fortalecer iniciativas que aproximem as universidades das comunidades rurais. Também precisamos ampliar programas que já existem e que demonstram como as universidades podem chegar às pessoas que vivem nos lugares mais distantes”. Segundo ela, a UFRA pretende levar projetos e iniciativas a outras regiões, como por exemplo, o Marajó.
O diretor do Museu Paraense Emílio Goeldi, Nilson Gabas Júnior., também apresentou resultados da atuação do Museu Goeldi durante a COP 30. “As instalações do Museu Goeldi foram utilizadas como espaço de articulação científica, política e cultural, com mais de 350 atividades e cerca de 40 mil visitantes, além da presença de autoridades, chefes de Estado e representantes de organizações internacionais”, recorda.
Ele destaca, entre as iniciativas realizadas, exposições, encontros científicos e atividades voltadas ao futuro da Amazônia, à inovação, à conservação e às populações tradicionais. O Museu também participou de ações articuladas com ministérios e outras instituições, incluindo iniciativas relacionadas ao clima e às populações extrativistas.
Para o diretor, essa experiência reforçou a importância de conectar ciência, conhecimento tradicional e participação social na construção das políticas para a Amazônia.
Saúde, clima e vulnerabilidade

Os efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde são enfatizados pelo Instituto Evandro Chagas. Lívia Carício Martins, diretora do Instituto, lembrou que a COP30 teve, pela primeira vez, um dia dedicado especificamente à saúde e destacou o Plano de Saúde de Belém, voltado à adaptação e à resiliência dos serviços da área diante dos impactos climáticos.
“Não podemos falar apenas sobre mitigação. Precisamos falar também sobre adaptação e sobre o que vamos fazer diante dos efeitos que já estamos vivenciando”, afirmou a representante do instituto.
Dentre os impactos citados estão: insegurança alimentar, doenças infecciosas e crônicas, além das consequências de eventos extremos, como enchentes e secas.
Segundo a diretora, os grupos mais vulneráveis devem ser os mais atingidos pelos efeitos das mudanças climáticas, o que reforça a necessidade de integrar saúde, ciência e políticas de adaptação.
Valorização da ciência comunitária

Uma nova forma de valorizar o conhecimento produzido pelas comunidades amazônicas é o que propõe José Ivanildo Brilhante, diretor do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), e um dos representantes da sociedade civil nos debates climáticos. Ele apresenta como alternativa, a criação de uma plataforma brasileira para registrar a chamada ciência comunitária, reunindo conhecimentos produzidos por povos e comunidades a partir da experiência, observação e experimentação nos territórios.
A ideia é que universidades, museus e instituições de pesquisa participem da construção de um sistema capaz de registrar esses conhecimentos e aproximá-los da ciência acadêmica.
“Se continuarmos tratando esse conhecimento como algo menor, estaremos invisibilizando uma parte fundamental da ciência produzida na Amazônia”, afirma.
Para ele, o Brasil precisa desenvolver um modelo próprio de respeito a esses conhecimentos, valorizando não apenas pesquisadores individuais, mas também comunidades e povos que produzem e transmitem saberes ao longo de gerações.
Investimentos Previstos para mitigação das Mudanças Climáticas: R$ 2 bilhões em recursos para a Amazônia

Lidiane Rocha de Oliveira Melo, diretora do Departamento de Políticas de Mitigação e Instrumentos de Implementação, da Secretaria Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), pontua a relevância dos debates na Amazônia. “A agenda construída na COP 30 trouxe avanços em relação à meta global e ao chamado financiamento climático”, avalia. “As convenções climáticas são marcadas por ciclos de negociação e, a cada conferência, surgem novos desafios. Mas tivemos avanços importantes, inclusive em discussões relacionadas à captação de recursos e à produção de informações sobre investimentos públicos e privados que possam apoiar processos de eficiência e a busca por formas mais resilientes de enfrentar os impactos da mudança do clima”, destaca a representante do MMA.
Segundo ela, na Amazônia, algumas iniciativas já estão em andamento, especialmente aquelas relacionadas à inovação científica e ao financiamento. “Temos hoje uma abordagem de estruturação financeira que foi criada no contexto do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, sob responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente, e que está inserida na estratégia de transformação ecológica. A ideia é utilizar recursos públicos para mobilizar recursos privados e ampliar a capacidade de transformação. Também existem mecanismos para redução e compartilhamento de riscos, permitindo atrair mais recursos para enfrentar diferentes desafios no contexto nacional”, ressalta.
“Desde 2024, foram realizados cinco leilões. O primeiro foi voltado à transformação ecológica de modo geral. Em 2024 e 2025, avançamos para outras modalidades. O segundo leilão foi direcionado a projetos relacionados à recuperação de áreas degradadas. O terceiro teve foco em financiamento catalítico e impacto. E, no contexto da COP30, tivemos também uma iniciativa especificamente voltada para infraestrutura habilitante na região amazônica”, explica Lidiane.
“Estamos falando de uma iniciativa que prevê aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos e que tem potencial para mobilizar recursos adicionais para infraestrutura, bioeconomia e turismo sustentável. É um desenho customizado especificamente para valorizar a região amazônica e promover um processo de transformação regional. Esse processo ainda está em andamento e será desenvolvido em diferentes etapas, mas representa um esforço importante para acelerar investimentos e enfrentar questões específicas da Amazônia”, destaca.
Ainda em 2026 Belém sediará evento pré-COP 31

Os resultados deverão ser apresentados em Belém, durante um evento que marcará um ano da COP30, com o objetivo de levar as propostas à discussão internacional. A agenda também deverá ser debatida entre Belém e Antália durante a transição da presidência brasileira para a presidência turca da COP31.
Segundo o governo federal, estão em andamento conversas com diferentes países sobre uma possível divisão de trabalho e estratégias para garantir a continuidade dessa agenda nas próximas conferências. O objetivo é construir caminhos comuns para o enfrentamento das mudanças climáticas e o cumprimento dos compromissos assumidos pelos países.
O debate esteve em foco no Dia da Amazônia

Todas essas questões foram evidenciadas durante o evento “Belém a Antália: compromissos da Agenda de Ação e dos Mapas do Caminho”, que ocorreu no dia 4 de setembro, na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Belém, como parte das comemorações pelo Dia da Amazônia, em 5 de setembro.
A organização foi do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (CDESS), em parceria com a Ufra e em articulação com diversas instituições.
O encontro abordou iniciativas, resultados, desafios e perspectivas relacionados à implementação dos compromissos climáticos, à consolidação dos legados da COP30 e à construção dos próximos passos rumo à COP31, que ocorrerá na cidade de Antália, na Turquia.
Participaram presencialmente, dentre outras autoridades, a professora Raimunda Monteiro, secretária executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República (CDESS); Gracialda Ferreira, reitora da UFRA; Walkymário Lemos, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental; Nilson Gabas Júnior, diretor do Museu Paraense Emílio Goeldi; Lívia Carício Martins, diretora do Instituto Evandro Chagas; a vice-reitora da Universidade Federal do Pará, Loiane Prado Verbicaro; Pocas de Medeiros Pires, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE); o reitor da Universidade do Estado do Pará (UEPA), Clay Chagas; o presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP), professor Marcel Botelho; Deryck Martins, conselheiro do CDESS e diretor executivo da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (AIMEX); e José Ivanildo Brilhante, diretor do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), que representou a sociedade civil.
Remotamente estiveram Marco Tulio Scarpelli, representante da Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério de Relações Exteriores; Bruna Cerqueira, coordenadora-geral da Agenda de Ação da Presidência da COP30; Jôse Barbosa Malheiros, conselheira do CDEES; Aloísio Lopes Pereira de Melo, secretário Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente; e Lidiane Rocha de Oliveira Melo, diretora do Departamento de Políticas de Mitigação e Instrumentos de Implementação, da Secretaria Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
