O que realizamos

O Observatório realiza estudos e pesquisas para compreender os fluxos entre a floresta amazônica e as águas do Atlântico próximas à Foz do Amazonas, sua biodiversidade, geodiversidade e uso sustentável de seus recursos vivos e não vivos, no qual  o rio Amazonas é o principal conduíte não só de água doce, mas de sedimentos, carbono, nutrientes e poluentes. 

Esta descarga de água, materiais e substâncias formam uma pluma fluvial gigantesca, que gera uma dinâmica complexa e grande produtividade na região que resulta em grande biodiversidade. A pluma do Amazonas também representa uma elevada exportação de carbono da Floresta Amazônica para o Oceano Atlântico, em que a biodiversidade e sua produtividade desempenham papel fundamental no sequestro de carbono, com destaque para o Sistema de Recifes Mesofóticos (GARS) e o cinturão de manguezais. 

A pesquisa

Nosso propósito é atuar na elaboração de dados hidrodinâmicos e de mapeamento de fundo do Rio Amazonas para subsidiar a elaboração de políticas públicas, ofertar informações baseada em evidências para a tomada de decisões e colaborar com a governança da região, visto que apesar de extremamente relevantes, esse tipo de informações ainda são incipientes nessa parte do país. 

Estudamos como a dinâmica fluviomarinha da foz afeta a biodiversidade e atividades econômicas importantes para a população local, como as comunidades pesqueiras e extrativistas. Também é necessário avaliar como os ecossistemas da área respondem a diferentes pressões, entre elas a pesca intensiva, a presença de microplásticos, a contaminação por mercúrio oriundo do garimpo, as redes de pesca abandonadas (pesca-fantasma) e os efeitos das mudanças climáticas, bem como os seus impactos para o meio ambiente e para a sociedade. Outro tema de atenção é a possível exploração de petróleo na região, a pesquisa gera dados sobre a condição atual do território e possíveis impactos dessa atividade humana para os ecossistemas da região.

Para ampliar esse conhecimento, o projeto aposta no uso de modelos computacionais avançados. Um dos principais resultados previstos é o desenvolvimento do sistema Amazon Track, uma plataforma capaz de integrar diferentes bases de dados e simular fenômenos como enchentes, dispersão de poluentes, erosão e sedimentação, além do deslocamento de larvas e sementes para que sejam mensurados e projetados os impactos, a fim de prevenir ou remediar suas consequências.

Formação de Pesquisadores

Nossa rede também trabalha na formação de recursos humanos em diferentes níveis acadêmicos (graduação, mestrado e doutorado), colaborando para que atuem em diferentes linhas de pesquisa relacionadas ao estudo dos organismos e microrganismos aquáticos, transportados pelas correntes, marés e ondas, capazes de influenciar o crescimento, a sobrevivência ou o desenvolvimento de outros organismos ao redor. Nessa perspectiva, evidenciar que na Amazônia há grupos e redes de pesquisa que produzem ciência na Amazônia, sobre a  Amazônia e feita por pesquisadores oriundos ou residentes na região. A pesquisa visa não só a promoção de excelência científica e formação de recursos humanos na área, como também a formação de cidadãos críticos e engajados com a realidade local e comprometidos com a construção de  um futuro mais justo e igualitário para o planeta. 

Expedições científicas

A Rede Foz do Rio Amazonas realiza expedições em canoas havaianas à vela e a remo. Com elas, os pesquisadores conseguem coletar amostras de sedimentos, água e outros dados essenciais para entender e pesquisar os ecossistemas da Amazônia costeira, tudo com baixo impacto ambiental.

Por meio de uma parceria entre o Laboratório de Geologia Costeira da UFPA (LAGECO), o Observatório para a Foz do Rio Amazonas e escolas de canoagem e grupos de remadores amazônicos, as expedições utilizam canoas havaianas para acessar áreas costeiras remotas e de difícil alcance.

Diferentemente das grandes embarcações de pesquisa, que muitas vezes não conseguem se aproximar das margens, bancos de areia, estuários e trechos rasos, as canoas permitem que os pesquisadores cheguem a locais estratégicos para a coleta de amostras e o monitoramento ambiental.

Durante as expedições, são coletadas amostras de sedimentos e água, além de dados sobre salinidade, microplásticos e outros indicadores que ajudam a compreender a dinâmica da costa amazônica. As informações reunidas contribuem para estudos sobre erosão costeira, transporte de sedimentos, qualidade ambiental e os impactos das mudanças climáticas na região.

A iniciativa também fortalece a integração entre ciência e saberes locais. Ao lado de pesquisadores, remadores e moradores das comunidades costeiras, a Rede compartilha conhecimentos sobre os territórios, as marés, os ventos e os caminhos das águas, ampliando a compreensão sobre uma das regiões mais importantes e menos estudadas do país.

As expedições demonstram como a colaboração entre universidades, comunidades e organizações locais pode ampliar o alcance da ciência e promover formas mais sustentáveis de pesquisa na Amazônia.

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